quinta-feira, 19 de novembro de 2009

PENSAMENTOS SOLTOS...

Há 40 anos atrás o Rei do futebol fazia seu milésimo gol. Óbvio que foi num jogo contra o VASCO, clube predestinado aos grandes momentos. Logo ele, o vascaíno, fazendo seu milésimo gol no time que um dia sonhou defender. Por algum capricho dos deuses, ele foi parar no Peixe, e lá fez sua vitoriosa carreira. Mas quem um dia experimentou a sensação de ser vascaíno, nunca mais esquece. A Cruz de Malta, esse símbolo indelével, deixa marcas, pra sempre. O Rei é prova disso. Ao fazer balançar a rede pela milésima vez, adivinhem com que camisa comemorou o gol? Pois é...Pra quem não acredita, aí está a prova.


Foto: Netvasco

Não deve ser coincidência Pelé, Roberto Carlos e Chico Anísio, os grandes do futebol, MPB e humor, respectivamente, serem todos vascaínos. É predestinação mesmo.

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Os Bambis paulistas estão sentindo na pele o que significa ser julgado com severidade pelo STJD. A mesma severidade que nos últimos três anos ceifou as chances dos adversários e deu os títulos de graça àquela corja do Morumbi, hoje se volta contra eles e dificulta, ou quase impossibilita, seu quarto título consecutivo. A outra face dessa moeda, usada no jogo imundo praticado nesse tribunal de pilantras, mostra a tendência cada vez mais forte do título parar na Gávea. A propósito desse assunto, esse que escreve foi interpalado dias desses com a seguinte questão: E aí João, vai secar os urubus ou é pior os bambis serem tetra? Minha resposta, que é o pensamento desse blog: SOU VASCAÍNO. ELES QUE SE EXPLODAM. O que me interessa nesse momento são os dois jogos que nos faltam para encerrar nosso calendário. Depois, é pensar em 2010.

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Hoje comemoramos o dia da bandeira. Então, vá lá - salve o lindo pendão da esperança! Mas isso me faz pensar nos símbolos que representam o VASCO, minha pátria. Sim, sou brasileiro, patriota, mas em primeiro lugar sou vascaíno. Há algum tempo me dei conta que o VASCO é um dos únicos times, senão o único, a não ostentar o escudo do clube na camisa. Isso se dá porque o VASCO possui um símbolo tão forte, tão inconfundível, tão indelével, como foi dito acima, que se sobrepõe até ao escudo, símbolo maior do clube. Senão vejam: O VASCO é alvinegro? Não, o VASCO é cruzmaltino. A Cruz de Malta possui esse poder. Simboliza o VASCO com a mesma eficiência que o escudo. Ambos são belíssimos, ambos são respeitados, ambos são temidos, ambos, onde quer que sejam avistados, significam a mesma coisa: VASCO, com V de vitória.

Lado a lado, duas imagens que representam uma paixão.

E não me venham com essa história de cruz pátea, cruz de Cristo, cruz isso, cruz aquilo. É Cruz de Malta e pronto. Assim quis a nação cruzmaltina, assim vai ser pra eternidade.

SAUDAÇÕES VASCAÍNAS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Curtas:

* Uma onda de Vascainismo tomou conta do Rio. Por onde se anda, há uma camisa do VASCO adornando um vascaíno orgulhoso. O Rio fica mais bonito.

* Somos campeões, mas o campeonato não acabou. Lugar de vascaíno sábado é no Maracanã.

* O maçarico anda ligado; o verão ainda nem começou...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ENFIM, O BOM FUTEBOL.

O VASCO joga sábado contra a Lusa no Maracanã. Joga sem pressão, a não ser a inerente à condição de VASCO - clube compromissado eternamente com a vitória. Já voltamos para nosso lugar costumeiro. Já somos até campeões. É possível que agora, livre das amarras do futebol pragmático, jogando contra um adversário que tem necessidade absoluta da vitória e portanto vai sair pro jogo, a gente consiga ver o VASCO reeditar seu futebol alegre, de muitos gols, de jogadas geniais que há tanto tempo não vemos pelos lados da Colina Histórica.

O VASCO 2009 foi eficiente. Fez os resultados que eram necessários para corrigir os rumos da história. Jogou de forma pragmática. Duas coisas pesaram: A necessidade desesperada de fazer os resultados e a qualidade do elenco que não permitia muitas "firulas". Não quero nem de longe desmerecer esses jogadores que honraram nossa camisa esse ano. Mas seria um ufanismo irracional classificar nosso elenco de brilhante. São, em sua grande maioria, jogadores sérios, dedicados, mas de pouca qualidade técnica. Pra série B, serviu. Com sobras. Já para satisfazer as enormes expectativas da torcida para 2010...

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Já que falamos em reforços para 2010, recomendo a leitura dessa entrevista do Juninho concedida ao jornal O LANCE! e reproduzida no SuperVasco:

http://www.supervasco.com/noticias/juninho-pernambucano-quero-voltar-mas-nao-posso-roubar-o-vasco-58340.html

Observem a sinceridade desse rapaz, vascaíno de corpo e alma: "Não quero roubar o VASCO, só volto se puder contribuir de verdade". Em outro trecho da entrevista, mais uma demonstração de honestidade, daquelas que não se submetem aos chavões nem às verdades criadas pela mídia urubu: "A torcida do VASCO é a melhor do mundo. Falo sem querer fazer média".
O jogador de futebol comum é compelido a dizer que a torcida urubu é a melhor, a mais isso, mais aquilo. O faz porque não tem personalidade, pra fazer média com a imprensa, ou porque não tem caráter mesmo. O craque, de personalidade forte, caráter imaculado, fala o que sente. Não alimenta o paradigma mentiroso. Antes, o contraria, porque o que diz vem do coração. E a propósito - Juninho Pernambucano é o cacete. Pra nós, vascaínos, é Juninho e pronto. Só há um, o ídolo eterno.

SAUDAÇÕES VASCAÍNAS !!!!!!!!!!!!!!!!

Curtas:

* As informações que chegam dão conta da quase certa renovação do comandante. A diretoria trabalha para dar ao Dorival as garantias de boas condições de trabalho que ele pediu. Feito isso, o contrato será renovado até dezembro de 2010.

* Nos corredores de São Januário circula a certeza de que o VASCO vai mesmo apresentar um nome de impacto para simbolizar o projeto 2010. É esperar pra ver.

* O Cazalber vestiu a camisa. Mais que isso, vestiu o sentimento de ser vascaíno. Honras sejam feitas, e contamos com ele por muito tempo. Está no caminho certo pra entrar pra galeria dos grandes ídolos da história.

* E o Edmundo jogando showbol, hein? Desculpem a falta de criatividade - QUE SHOW !!!!!!!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando faltava uma rodada para o fim do primeiro turno, escrevi aqui minhas impressões a respeito da competição e fiz alguns prognósticos. Faltavam ainda 20 jogos para cada time. Observo hoje que acertei mais que errei. A maior surpresa para mim foi o Bugre. Não esperava, sinceramente, que tivesse fôlego para se manter entre os primeiros, depois do início avassalador. A queda de produção apresentada no fim do primeiro turno, imaginei que fosse se estender por todo resto da série B. Queimei minha língua e posso afirmar, sem dúvidas, que o Guarani irá disputar a série A ano que vem.

O Ceará surpreendeu. Deve suas chances reais de subir ao seu técnico, PC Gusmão, e à força de sua contagiante torcida, que deu show no Castelão. Já dizia que acreditava na força do Vovô. Não me decepcionei. Depende apenas de si mesmo e deve subir. Um jogo muito interessante para o VASCO na série A 2010, considerando a imensa torcida vascaína em Fortaleza.

O Atlético-GO fez o que dele eu esperava que fizesse. Já antes mesmo do início da competição, afirmei, baseado no desempenho do Dragão no Goianiense, que seria seríssimo candidato a uma das vagas para primeirona. Se não fez uma campanha brilhante, pelo menos se manteve entre os quatro em boa parte do certame. Ainda não garantiu a vaga, é verdade, mas depende apenas de seus esforços para tal. Torço para que suba. Não tem muita torcida. No Serra Dourada e no Rio o VASCO terá maioria de torcedores, caso o Dragão confirme o acesso.

O Figueira ainda tem chances. Remotas, mas tem. Ganhando os dois jogos que faltam, pode tomar a vaga do Atlético-GO. Fez o que se esperava que fizesse. Esteve sempre rondando o G-4, embora nunca tenha empolgado sua torcida. Corre o risco de ver o rival, Avaí, disputando sua segunda série A consecutiva e ainda classificado para Sul-americana, ou quem sabe para Libertadores, o que para a torcida da Ilha seria terrível.

Lá embaixo da tabela o ABC e o Campinense se empenharam para confirmar meus prognósticos. Nunca deram a impressão de que poderiam se livrar da degola. Não se livraram e irão ilustrar a série C 2010 com suas honrosas participações.

O São Caetano e o Brasiliense decepcionaram. Nunca se mostraram fortes para lutar por vaga. O Brasiliense fez mais - vai acabar a competição lutando para não cair para a terceirona. Caso caia, apesar dos esforços do ex-senador, deve ficar por lá um tempinho.

Os demais clubes fizeram figuração, o que no caso do grande Bahia e do Fortaleza é uma pena. São times de tradição e eu gostaria que tivessem sorte melhor, assim como o Santa Cruz, hoje agonizando na série D.

O campeão? Bom, o campeão todos sabiam qual seria desde 7 de dezembro do ano passado. Era o que se esperava. Foi o que aconteceu.

SERIE B ? NUNCA MAIS, SE DEUS QUISER !!!

SAUDAÇÕES VASCAÍNAS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Curtas:

* Nomes em profusão rondam a pauta de contratações do VASCO para 2010. Torno a dizer - A prioridade número um é manter a dupla Dorival Junior/Rodrigo Caetano.

* Por falar em Dorival, diz-se que suas exigências não são de ordem financeira. Quer garantias de que os salários sejam pagos em dia e que haja condições de trabalho adequadas e proporcionais às ambições do clube para a temporada 2010. Muito justo.

* O Juninho será sempre bem-vindo. Imaginem um meio de campo com Nilton, Souza, Juninho e Cazalber? Se o ataque estiver à altura...

* A grande maioria dos vascaínos com quem conversei mostram bom senso em destacar que o título da série B, embora comemorado, não está à altura de nossa centenária e vitoriosa história.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

COMEMORAR OU NÃO?

Uma discussão tomou conta da torcida do VASCO: O título da série B deve ou não ser comemorado? A celeuma ganhou força com a decisão da diretoria de pintar em São Januário, ao lado dos títulos mais importantes da história do clube, a inscrição: Campeão Brasileiro da Série B 2009.

Antes de mais nada, quero lembrar as palavras do nosso presidente, ainda no gramado após o jogo contra o América, quando indagado acerca do sentimento que o assolava naquele momento:
- Alívio.
Foi essa a palavra que Roberto usou para expressar seus sentimentos em relação à conquista que acabava de se concretizar: Alívio.

Bom, se uma conquista, ainda fresca, desperta alívio, é porque essa conquista era antes de tudo uma obrigação: alívio do dever cumprido. É exatamente esse o sentimento do vascaíno que conhece a grandeza do clube.

Por mais que ver o VASCO ganhar seja bom, nada apaga o fato de que esse ano disputamos um campeonato de SEGUNDA DIVISÃO. Isso não está à altura da vitoriosa história do VASCO. Tínhamos a obrigação de vencer sim. E vencemos. Daí o alívio, e não a alegria. Os gritos de "é campeão", ouvidos na arquibancada após o jogo, são muito mais frutos da carência de títulos e do sentimento irracional de euforia momentânea, do que propriamente da alegria pela conquista, que no íntimo, todos esperavam que viesse.

Isso em nada desmerece ou diminui o desempenho dos atletas que fizeram parte desse grupo. Pelo contrário, se portaram com dignidade e levaram o VASCO de volta para seu lugar de direito. Os jogadores merecem nossa gratidão e respeito, e é aceitável que eles comemorem a conquista. Eles são profissionais e atingiram a meta que lhes foi proposta no início do ano. Mas o torcedor tem compromisso antes de tudo com a instituição, e esse título não é digno do VASCO.

Que se tire as lições desse ano malfadado e que se vire logo essa página que merece ser esquecida. Ano que vem voltaremos a ver o VASCO jogando ao lado dos seus iguais, no lugar de time grande, como é o VASCO. Espero ver o Maracanã ou São Januário lotados como esse ano, e que no fim do campeonato a gente tenha motivos para comemorar que sejam dignos da grandeza de nossa história.

SAUDAÇÕES VASCAÍNAS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Curtas:

* A divulgação do público na sexta recebeu merecidas vaias. Era visivel que havia pelo menos 65 mil presentes. O jogo de domingo do flu confirmou essa desconfiança. Menos gente e um público presente maior...

* Disse aqui que esperava 6 vitórias nos últimos 6 jogos do VASCO. Não fosse o empate com o Fortaleza, minhas exigências teriam sido atendidas. Não se trata de adivinhação. É o que se espera sempre de um clube como o VASCO.

* É bom lembrar que o campeonato ainda não acabou. Temos mais dois jogos. Espero mais duas vitórias. Nada de acomodação.

* Começou a temportada de especulações. Em primeiro lugar, que se trate de renovar com o comendante DJ. Ele e o Rodrigo Caetano são os responsáveis maiores pelo sucesso na série B. Que repitam o sucesso na série A.



sábado, 7 de novembro de 2009

UMA TARDE DE AMOR.

7 de dezembro de 2008. O VASCO perdia para o Vitória em São Januário e começava a escrever o capítulo mais triste de sua vitoriosa história. Não lembro bem o que senti naquela tarde. Uma mistura de tristeza, dor, amargura. Essas lembranças ficaram difusas, mas deixaram marcas. Uma ferida havia sido aberta, e doía. Quis o destino que meu amor fosse colocado à prova. Aliás, conheci dois tipos de amor em minha vida. Ambos são eternos - não acredito em amor efêmero - definitivos: O amor que une pais e filhos e o amor que une um torcedor verdadeiro e seu time. Posso afirmar feliz que vivo movido por ambos. Tenho pais e filhos maravilhosos e torço por um clube que atende pelo nome de Vasco da Gama.

O ano de 2009 prometia ser difícil. Um clube despedaçado tentava se reerguer. O começo não foi muito promissor: uma comissão técnica competente, mas jogadores desconhecidos, à exceção do Carlos Alberto. Mas o tempo, senhor da sabedoria, passou. O time de ilustres desconhecidos começou a se impor. Mostrou disposição, quando faltava qualidade; mostrou raça, quando a sorte não ajudou. E o amor, posto à prova, resistia, firme e convicto. O campeonato Carioca, logo no início do ano, serviu pra mostrar que amor de verdade não sucumbe jamais. Lá estava a torcida do VASCO, ainda triste, ferida, mas como convém à uma boa história de amor, ao lado do clube amado. Dizendo em alto e bom som: Estamos aqui, ao seu lado. O sentimento não parou e nem vai parar.

Pois o clube da "segunda divisão" venceu TODOS os rivais no Carioca 2009. Em TODOS os jogos, contra esses rivais, nossa torcida foi maior. Na maioria das vezes, MUITO maior. Não vencemos o Carioca. Nem precisava - O orgulho voltava, mais forte. Na Copa do Brasil fomos às semi-finais. Eliminados pela incompetência do árbitro, não pela superioridade do adversário. Nesse momento o VASCO mostrou sua grandeza. A torcida cobrou a eliminação. Lógico, aqui é VASCO. Não importa a divisão nem o campeonato. Num recado claro, talvez um pouco impaciente, a torcida lembrou nesse momento que nascemos pra vencer.

Desgastado pelas competições do primeiro semestre, o VASCO atravessou um pequeno momento de instabilidade. Nada que abalasse o orgulho e a confiança que já haviam sido reestabelecidos. As cobranças surgiram, como é normal num time da grandeza do VASCO. Passadas algumas rodadas de relativo insucesso, retomávamos o caminho das vitórias para não mais deixá-lo.

A torcida continuava dando um show. Onde o VASCO jogasse, as demontrações de amor e paixão surgiam fartas. Nossos torcedores enchiam os estádios pelo Brasil afora, reafirmando o que haviam dito no início do ano - Estamos juntos. O sentimento está mais vivo que nunca, pulsando, e não vai parar. No dia 22 de agosto, até o mais cético sucumbiu: o VASCO ia jogar pela 19ª rodada do campeonato da segunda divisão - é isso mesmo, 19ª rodada, meio de campeonato, o jogo não valia nada, e era um campeonato de segunda divisão - a única coisa de excepcional que havia era um dos times que estaria em campo: Club de Regatas Vasco da Gama. Pronto, isso bastava. 80.000 pessoas se dirigiram ao Maracanã para dar a primeira prova incontestável de amor. O Brasil assistiu atônito, ao vivo na globo, o clube de segunda divisão bater o recorde de público de TODAS AS DIVISÕES DO FUTEBOL BRASILEIRO, para assistir a uma partida que valia apenas 3 pontos, nada além disso, 3 pontos pela 19ª rodada...Se isso não é amor, o que mais seria?

A partir daí, o vascaíno passou a sorrir fácil de novo. A imprensa afrontada com tamanhas demonstrações de amor e grandeza admite: Não se derruba um Gigante como o VASCO. O retorno agora é apenas questão de estabelecer "quando". "Como" não era mais problema: Se em campo o time claudicava, na arquibancada a torcida intimidava os adversários e mandava o recado: Vamos subir VASCO !!! Embalado pela melodia fácil e bonita, o time respondia em campo e as vitórias iam se sucedendo. Um tropeço aqui e outro ali já eram tratados como contingências normais. O processo de reerguimento agora era irreversível, todos sabiam.

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7 de novembro de 2009. O VASCO entra em campo e é recebido por 82.000 torcedores, amantes, apaixonados. Faltavam agora 90 minutos pra história retomar seu curso normal. Quase não vi o jogo, admito, emocionado que estava. O que acontecia em campo naquele momento era irrelevante. A vitória viria, não tinha dúvidas. O que me prendia a atenção era o sentimento que exalava das arquibancadas do Maracanã. Era tão intenso, tão arrebatador que parecia condensar. Em cada rosto, em cada olhar, o orgulho de ser VASCO era nítido, indisfarçável. Senhores, esse é o maior patrimônio que um clube de futebol pode querer: O AMOR INCONDICIONAL DE SEUS TORCEDORES. Olhando sob esse prisma, posso afirmar sem medo de ser exagerado: Naquele momento, o VASCO era o clube mais rico do mundo.

Fim de jogo. Explosão de alegria, alívio. Voltávamos em grande estilo. Novamente o Brasil via uma torcida lotar sozinha o Maracanã e declarar uníssona seu amor ao clube. Me lembrei nesse instante daquele 7 de dezembro fatídico. Logo depois um filme passou rápido pela minha cabeça. Vieram as vitórias, o recomeço, o orgulho reconstruído. Algumas lágrimas rolaram, dessa vez, lágrimas de orgulho, felicidade. Acabava naquele momento mais um capítulo dessa história de amor que já dura 41 anos, minha idade. Final feliz, como sempre. Demorei muito a dormir nesse dia. Antes de ser vencido pelo sono, a última coisa que se passou pela minha cabeça foi o trecho da música que vinha da arquibancada:

"De todos os amores que eu tive és o mais antigo..."

VASCO, EU TE AMO !!!!!!!!!!!

Curtas:

* Essa mobilização, assim como o sentimento, não pode parar. Não devemos esperar a alegria completa ou a dor profunda para estar ao lado do clube. Todo o jogo do VASCO é excepcional e merece a nossa presença. Sempre.

* O título continua uma obrigação, nada de se acomodar. Nem time, nem torcida.

* 2010 promete...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O REENCONTRO COM O ÍDOLO.

Tenho usado este espaço para emitir opiniões, nem sempre sensatas, reconheço. Mas quem disse que pretendo ser sensato o tempo todo? Sou torcedor, antes de tudo. E sou Vascaíno, que é ser ainda mais que torcedor. Hoje, vou fugir à regra. Vou falar de mim, dizer como e porque sou Vascaíno. Isso tem tudo a ver com Roberto Dinamite. Não o presidente. Com o jogador, o ídolo. Sou de uma família de tricolores. Comecei a frequentar estádios na companhia do meu pai, aos 8 anos, que me levava pra ver a "máquina tricolor". Time de grandes jogadores. Pois nem a influência do meu pai, a quem devoto todo amor que um filho pode devotar a um pai, nem a influência de Rivelino, Gil, Carlos Alberto entre outros, foi capaz de me seduzir. Pelo clube da Cruz de Malta jogava um rapaz chamado Dinamite. Ele envergava a camisa mais bonita, dentre todas que existiam. Nas costas, o número 10. Era o único grande craque desse time (e assim foi por quase toda sua carreira). Mas possuia brilho suficiente para manter aquele time em evidência. Isso, somado aos sábios conselhos do meu padrinho, foi o suficiente para que a escolha fosse sacramentada. Havia nascido vascaíno. Descobria isso, então. Na verdade, nunca escolhi o VASCO. Antes, o VASCO me escolheu.

Assim como as gerações mais novas viram os feitos de Romário, Edmundo e Juninho, eu e os da minha geração vimos Roberto Dinamite. Não pensem, os mais novos, que é pouco. Não é. Ele, muitas vezes sozinho, manteve o VASCO em evidência por quase 15 anos. Paradoxalmente, não foram tempos de tantos títulos. Mas foram tempos de um ídolo de verdade, com a cara do VASCO. Perseguido e muitas vezes injustiçado, como o VASCO é.


Nos quase 15 anos em que jogou no VASCO, Roberto só fez parte de UM time fantástico, o de 1987. Fora esse, todos os outros foram times bons, com jogadores abnegados, de muita raça, mas sem brilho. O primeiro título do Roberto foi o brasileiro de 1974. O VASCO jogou na decisão com Andrada, Miguel, Fidélis, Moisés e Alfinete; Alcir, Zanata e Ademir; Jorginho Carvoeiro, Roberto Dinamite e Luís Carlos. Desses, o único que vestiria a camisa da seleção em copa do mundo seria o Roberto. Bom time, mas sem nenhum grande craque, além do Roberto. E a final foi contra o grande Cruzeiro de Dirceu Lopes, Nelinho, Joãozinho e cia. Ganhamos. Adivinhem quem foi o artilheiro desse campeonato?

Em 1977, mais uma vez. Um bom time. Melhor até que o de 1974. Ganhamos do urubu na final com Mazzaropi, Orlando, Abel, Gaucho e Marco Antonio; Zé Mario, Zanata e Dirceu; Wilsinho, Roberto e Paulinho. No time deles já jogavam Zico, Junior e Tita. Roberto foi o segundo artilheiro com 25 gols. No anos seguintes, o rival montou um time realmente muito bom e, não fosse o VASCO de Roberto, teria ganho muito mais títulos e com maior facilidade ainda. E, mais uma vez, Roberto carregava sozinho o peso de manter o VASCO em evidência. E conseguia. Era invariavelmente artilheiro dessas competições, e levava o VASCO a disputar os títulos, mesmo com um elenco muito inferior. Em 1982, mais uma vez com um time inferior, fomos campeões. Lá estava Roberto como artilheiro do campeonato. Vencemos na final os urubus de Zico, Andrade, Adílio e cia. No elenco do VASCO, Roberto, sozinho, brilhava por uma constelação completa. Em 1987 Roberto teve o prazer de ser campeão no único VASCO inesquecível de sua carreira. Nem por isso foi coadjuvante. Estava lá, como protagonista. O artilheiro foi Romário. Em segundo, Roberto. O torcedor tinha esse time na ponta da língua: Acácio, Paulo Roberto, Fernando, Donato e Mazinho; Dunga Geovani e Tita; Mauricinho, Roberto e Romário. Um timaço. O único da carreira do Roberto com a camisa do VASCO. Esse currículo fez dele ídolo de toda minha geração.

Essa condição de ídolo ficou abalada com sua chegada à presidência. Nem o fato de representar o fim da "era Eurico", de lembranças tão amargas, foi capaz de desfazer o desconforto de ver o ídolo às voltas com a política do VASCO. O episódio da queda acentuou esse desconforto, e, pela primeira vez, me vi questionando sua condição de ídolo, que minhas lembranças ainda sustentavam.

Assim me senti até ontem.

Não gosto da globo, não escondo. Nem tampouco do Galvão Bueno. O tal "Bem Amigos" é intragável. O que dizer de um programa que consegue reunir Renato Maurício Prado, Paulo Cesar Vasconcelos, Arnaldo Cesar Coelho sob comando de Galvão Bueno? Não obstante, ontem fiz o esforço. E não me arrependo. Vi o VASCO e seu maior ídolo serem reverenciados como pouquíssimas vezes tenho visto na televisão. A forma respeitosa com que o VASCO foi tratado e o reconhecimento que Roberto mereceu me emocionaram. Como se não bastasse, vi o grande Paulinho da Viola decantar seu amor à Cruz de Malta, exaltando, com brilho nos olhos, o VASCO e seu maior ídolo. Durante o programa, viajei pelas minhas memórias. Relembrei gols e títulos inesquecíveis, conquistados sob liderança do Roberto. E, aos poucos, o ídolo e o presidente convergiram para o mesmo rosto de sorriso fácil de sempre.

O VASCO, em campo, vai cicatrizando suas feridas, retomando o rumo vitorioso de sua história. Fora de campo, o presidente, tal qual um almirante, está lá ao leme, dando rumo à Nau. E ontem, num momento muito especial, o torcedor mais antigo reencontrou seu maior ídolo.

Curtas:

* Para não ser prolixo, não citei outros tantos títulos da carreira do Dinamite. Foram muitos, assim como foram seus gols com a camisa do VASCO.

* Não haverá justificativa para menos de 85 mil pessoas sábado no Maracanã. Se forem disponibilizados 86 mil lugares, espero 86 mil presentes. Nada menos que isso.

* O acesso, na 34 ª rodada. O título, eu espero na 36ª.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

GOTA D'ÁGUA

Reproduzo abaixo um texto publicado no Cruz de Savóia, hoje. Há vascaínos que quando escutam outros vascaínos se insurgindo contra a imprensa, reclamando do tratamento desigual, da preferência descarada pelo rival mulambo, dizem que isso é mania de perseguição, que a imprensa é imparcial, que não existe nada disso. Graças a Deus, são a minoria. A maior parcela da nossa torcida já percebeu que não há tratamento igual. Somos destratados, ironizados e, muitas das vezes, perseguidos. E a coisa é tão clamorosa que até um palmeirense, morador de São Paulo, percebeu. Aqui, você podem ler o pensamento desse blog com exatidão. Subscrevo o texto abaixo como se tivesse sido eu mesmo o autor.


Instatisfações com a imprensa por parte das hostes palestrinas são históricas, como sabemos. Até tese de mestrado a coisa virou. Então contarei a história das minhas insatisfações com essa corja.


A primeira vez em que ouvi uma queixa a respeito de algum jornal eu era muito criança ainda. Lembro-me de ouvir meu irmão, cinco anos mais velho, queixando-se duma charge de A Gazeta Esportiva, antes dum Choque-Rei, em que mostrava uma luta de sumô entre Cilinho e o finado Vicente Arenari, os treineiros das duas equipes. Ele não gostou de ver nosso treineiro – realmente mais magro que o do adversário – ser ilustrado como um fiapo de gente agarrado ao ventre imenso do tricolor. Coisa de criança. Anos depois o Anderson, amigo de infância e parceiro de vários jogos – in loco, na TV ou no radinho de pilha – veio até mim reclamar de outra charge do mesmo jornal: havia na época um boato de que contrataríamos Don Diego, que foi retratado vestido de noivo, ao lado duma noiva decrépita e com uma placa pendurada no pesçoco. Na placa estava escrito “PARMALAT”. Daí em diante eles foram ladeira abaixo, cada vez mais mostrando um apreço exagerado pelo Corinthians em detrimento dos outros. Acabaram falindo, com justiça, prova de que até a claque alvinegra, tida como mais numerosa que os chineses, também dera as costas ao péssimo jornalismo praticado pelo jornaleco.


Mas o eixo SPFC-SCCP-CRF e seus torcedores não tardariam em criar um novo instrumento a fim de satisfazer seus caprichos mais doentios. Em meados dos anos noventa, surgia um novo diário na praça, com uma proposta inovadora: somente esportes por módicos R$ 0,75. Minha cachaça, não ficava um dia sem. Tão importante quanto o meu café da manhã, o Lance! matava minha sede de informação sobre esportes. Porém, meu caso de amor com o jornalzinho começou a ficar abalado quando as notas dos jogadores do Palmeiras começaram a ficar cada vez menores, apesar do ótimo momento do time, enquanto adversários mais fracos eram tratados com benevolência exagerada. Galeano jogou o fino improvisado na quarta-zaga e jamais levou nota acima de 6. Os jogadores do outro lado do muro, principalmente aqueles que serviam à Seleção, como Serginho – que fugiria do escrete canarinho depois – ganhavam carradas de dezes, noves e oitos. Atletas de qualidade questionável passaram a ser convocados e até disputaram Copas do Mundo, como o caso dos limitadíssimos Zé Carlos Galo – ele imitava o animal à perfeição, talvez tenha ido à França para acordar o grupo de manhã cedo – e Doriva, chamados pelo Velho Lobo. Só fui entender tudo isso anos mais tarde, ao ver Ilsinho ganhando Bola de Prata e ao ver o goleiro do Grêmio liderar a corrida pela Bola de Ouro à frente de Diego, o melhor jogador deste certame. O negócio é grana mesmo, é “Jabá”. Não era de se admirar que um time que contava com Marília Ruiz, Benjamin Back, Juca Kfouri, PVC e Marcelo Damato não passasse dum bando de gente que vai à lida sob ordens dos cáftens da tríade.


Mas isso não era suficiente: os italianinhos daqui e os portugas do Rio precisavam ser tratados jocosamente, feitos de otários. Um dia, dei uma olhada na banca de jornal do outro lado da rua e o papel higiênico dizia: “PALMEIRAS CONTRATA RICARDINHO”. Apesar de já ser um ex-leitor, atravessei a rua a mil – sempre fui fã do futebol do traíra – para ver de perto. Em letras miúdas, abaixo da manchete: “Mas não é quem você está pensando.” – Agora temos de aguentar pegadinhas! – pensei alto. Até mesmo o escudo do Verdão foi reproduzido com uma tarja vermelha feito placa de sinalização numa capa daquela joça. Profanaram tudo e escancararam de vez: nosso negócio é com elas. Não temos interesse em vocês, que estão sumindo, são a nova Lusa…


Quando era muito, muito criança tomei um “rodo” dum moleque na rua sem mais nem porquê. Passei anos creditando o episódio à minha cara de bobo, mas, bem depois, ao ver o presidente de honra da maior uniformizada palestrina discorrer sobre as origens de sua torcida, descobri o motivo: eu vestia o manto sagrado naquele dia, como tantos pais de família que apanhavam e perdiam camisas nos estádios lá pelo início do anos 1980. Até mesmo cariocas vinham até aqui e aproveitavam-se de nossa apatia, acostumados que estávamos com o estigma de “trouxas”. Quando nós, os otários, começamos a nos defender dos bons e ilibados moços do Bom Retiro e do Jardim Leonor, a corja finalmente começou a se preocupar com a violência que ela própria cultivara por décadas. E não foi só o Lance!, não. Os programas televisivos são os que mais induzem o torcedor a fazer bobagem. Se você torce pelo clube “errado”, eles provocam, mentem, humilham.

A noite de ontem foi histórica e eu participei, eu contribuí. Chegou o grande dia em que o palmeirense acordaria. EI, IMPRENSA, VAI TOMAR NO CU! Uma, dez, vinte, quarenta vezes, quatrocentas vozes, milhares de corações! Uma manifestação justa, oportuna e merecida. Paulo de Lilliput já minimizou, erroneamente, dizendo que foi só a Mancha. E o Juquinha, hein? Ele não gosta de democracia? Será que ele chamou o Doutor para ver? Nós estragamos o pós-jogo dos mensaleiros do rádio, sejam eles iniciantes ou velhos mineiros da cabeça grande criadores de gado despreocupados com a Mata Atlântica. Os palestrinos ouviram, riram e dormiram satisfeitos. Pais da bola, peitos de aço, carabinas, bacharéis e panteras sentenciaram do além: “Eles ainda são assim picaretas.” Mestre Filpo emenda: “Que la chupem. Pelas puntas!” A verdade é que a cuia finalmente transbordou após décadas e vocês chuparam. Chuparam e continuarão chupando, continuarão mamando. Engasguem e babem feito bois, como ordenou El Pibe, mano de D10s. Obedeçam, rameiras! Obedeçam já, da mesma forma que obedecem de joelhos aos Juvenais. Estamos no comando agora.

Mais útil que um Molotov nos prelos; mais dolorosa que uma cabeçada de Serginho Chulapa ou um sopapo do Felipão ou do Picerni; tão inteligente quanto o feedback de Crespo nos cronistas rossoneri canalhas ou as peripécias de Eurico contra a Flapress. Vocês pediram nossa manifestação por anos e aí está ela. Queriam que abandonássemos o barco, que fôssemos embora olhando o chão, como criança após sonoro flato. Não foi assim, porque o jogo acabou e ninguém saiu, porque não queríamos apenas mais um show de futebol e um placar elástico. Não foi para isso que pagamos o ingresso mais caro do país. Queríamos também uma palavrinha a sós com vocês, bandidos. Seis palavrinhas, quero dizer. Afinal, nossos guerreiros já estavam no vestiário. Cada um dos dezoito mil palestrinos botou os pingos nos i’s, ligou as pontas soltas e descobriu, ao mesmo tempo, que eles sempre quiseram acabar conosco. Façam oba-oba! E agora? Quem é o líder? E vocês merecem porque são safados e safado tem mais é que ter na cavidade mesmo. E sem pomada.


SAUDAÇÕES VASCAÍNAS !!!!!!!!!!!!!!!!!

Curtas:

* A diretoria do Fortaleza, seguindo recomendação da Polícia Militar, liberou as arquibancadas para os vascaínos que forem ao Castelão amanhã. Decisão sensata.

* São esperados mais de 10 mil vascaínos para o jogo que pode carimbar matematicamente o retorno à série A. Nada que espante. Sabemos todos da força da torcida vascaína no Nordeste.